SAÚDE MENTAL

 

INTRODUÇÃO

 

A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música, ou seus elementos, para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental. O uso da música como complementação em saúde mental, facilita a relação com o cliente/paciente proporcionando o início da interação com o mesmo. A música promove sensação de bem-estar, atuando no paciente como um ato eficiente e protetor, fornecendo uma sensação de paz, e aceitação.

As principais áreas de atuação de um musicoterapeuta são: Na Educação, com a dificuldade de aprendizado de crianças com problemas, desvios de condutas, entre outras; Na Educação Especial, com atendimento a portadores de deficiência mental, física, auditiva, visual, que necessitam de educação especial; Na Área Social, sessões com meninos de ruas, detentos e outros; Na Área Hospitalar, trabalhos com portadores de HIV, câncer, internados e outros; Nas Gestantes, estimulando o contato com o bebê desde o ambiente intra-uterino, estabelecendo vínculo com a mãe, pai e familiares; Na Estimulação Essencial, trabalho realizado com crianças de 0 a 3 anos; Na Reabilitação Motora, tratamento com pacientes com seqüelas de traumatismos cranianos ou acidente vascular cerebral; Na Gerontologia e Geriatria, com idosos no seu envelhecimento ou no tratamento de patologias; Ensino e Pesquisa, desenvolvimento da formação acadêmica científicas, publicações de trabalhos, entre muitos outros; Recursos Humanos, trabalho de musicoterapeutas para empresas.

A musicoterapia usa sons, harmonias, instrumentos musicais e ritmos como forma de tratamento complementar para vários problemas psicológicos, ajudando a pessoa ou grupo a combaterem várias patologias que envolvem o desenvolvimento, a comunicação, o relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, expressão e a organização física, mental ou social. A musicoterapia também é recomendada para desenvolver potenciais ou recuperar funções do indivíduo de forma que ele possa alcançar melhor integração pessoal e social fazendo com que, consequentemente, essa pessoa tenha uma melhor qualidade de vida.

Terapeuticamente, a música faz com que o indivíduo expresse suas ansiedades, tensões, desejos e alegrias. Entra em contato direto com as emoções e sentimentos internalizados que, muitas vezes, estão bloqueados pela inibição, pelo estresse, pela falta de estímulo. A música possibilita o despertar e o desenvolvimento do potencial criativo do indivíduo, impulsionando transformações que levam à modificação de padrões cristalizados, resgatando o fluxo vital e a saúde. A utilização da música a partir de uma compreensão musicoterápica tem também um trabalho preventivo, pois visa o "esvaziamento" e canalização das energias de tensão e ansiedade, impedindo que estas se acumulem e tenham como consequência, bloqueios psicossomáticos que geram o estresse e a depressão.

A música possui fatores culturais que têm a capacidade de proporcionar ao cliente/paciente a religação com os valores culturais de seu meio, reconstruindo a sua história, sendo assim, a mesma pode ser utilizada em pacientes idosos com transtornos mentais, principalmente a demência. Em função disso, a música representa uma alternativa para o tratamento de pacientes com problemas mentais, pois apresenta diversas características como: reconstrução de identidades, integração de pessoas, redução de ansiedade e construção de auto-estima.

A área de Saúde Mental apresenta uma dimensão aberta para a atuação do musicoterapeuta. No Brasil, busca-se uma nova abordagem quanto ao indivíduo e o tratamento psiquiátrico, grandes mudanças caminham para uma renovação, momento em que deve o musicoterapeuta buscar sua inclusão em uma equipe interdisciplinar para o atendimento desses pacientes psiquiátricos.

A Psiquiatria foi um dos primeiros ramos de atuação do musicoterapeuta, onde temos a Psiquiatria Infantil e de Adultos. O musicoterapeuta vai trabalhar com a observação, a realidade, a música, a autopercepção e a percepção do outro.

A musicoterapia nesta área de saúde mental atua junto aos pacientes com transtornos esquizofrênicos, obsessivos, de humor, dependência alcoolistas, dentre outros pacientes psiquiátricos. O profissional pode atuar de forma preventiva, evitando os problemas de saúde mental e estresse no indivíduo, através do relaxamento e outras técnicas da musicoterapia. Deve utilizar-se de elementos da música, intervir no âmbito físico, mental, psicológico e espiritual do cliente/paciente, bem como nas relações sociais, familiares, culturais e históricas.

Sendo assim, o musicoterapeuta encontra uma vasta atuação na área de Saúde Mental, onde diversas ações podem ser desenvolvidas através das técnicas e elementos estudados a partir da musicoterapia.

 

OBJETIVOS GERAIS

A Musicoterapia se trata de um atendimento diferenciado não somente pela especificidade da terapia, mas também pela forma de atendimento, levando os pacientes a buscarem a construção ou ressignificação da identidade, enxergando seus horizontes que normalmente lhes escapam e a dar nova margem de vida, promovendo a sua inclusão social.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  • Estabelecer um canal de comunicação não-verbal através da música;
  • Estabelecer limites para si, e para com o outro;
  •  Promover e dar sentido a auto-expressão e a busca da verdadeira identidade;
  • Condicionar também a escuta; de si e do outro;
  • Promover um comportamento ritmado e a adaptação;
  • Melhorar as habilidades interativas e de grupo;
  • Promover a receptividade;
  • Promover estrutura emocional para o retorno a sociedade.

 

Nesta área o paciente/cliente normalmente é muito resistente e o tratamento tem de ser rápido e eficaz. Este projeto de musicoterapia oferece um tratamento diferenciado atraindo a pessoa e trabalhando com o material criativo musical.

A música feita a partir da história de vida do paciente o ajuda em seu processo de expressar anseios de uma maneira menos dolorosa, aumentando assim a sua auto-estima e promovendo a comunicação, aprendizagem, mobilização, expressão, organização e outros objetivos terapêuticos, propiciando uma saúde integral

 

POPULAÇÃO

As intervenções musicoterapêuticas poderão ser feitas individuais ou em grupos, sendo entre eles, crianças, adolescentes ou adultos encaminhados ou de demanda espontânea.

 

PROPOSTA DE TRABALHO

Dentre todas as modalidades artísticas, a música é a que tem o apelo mais eficaz no que concerne a mobilizar as pessoas para um ambiente sócio-educativo. Seja pelo glamour da área artística musical, pelos estímulos somáticos de um samba, pelo seu poder de evocar momentos vividos ou pelo seu caráter dinamogênico (que é a capacidade de nos atingir mesmo sem estarmos predispostos à sua intervenção), a música agrega, de maneira voraz, o ser humano, que, embora não se dê conta das causas, caminha em sua direção, como que a buscar um oásis afetivo, um cais artístico capaz de lançá-lo ao mar do bem-estar.

Outro enfoque é o seu poder terapêutico de uma forma lúdica e educativa, pois ela trabalha aspectos psíquicos, cognitivos e motores através de seus elementos (ritmo, melodia e harmonia), proporcionando equilíbrio emocional e consequentemente elevando a auto-estima, que nesta área de atuação, em geral, se torna baixa.

A estrutura musical apresenta-se como uma constante dicotomia abrangendo, ao mesmo tempo, razão e emoção, tensão e relaxamento, força e suavidade, complexidade e simplicidade e outros fatores antagônicos. Devido a sua completude, a música atinge o individuo de forma global, ativando e integrando aspectos físicos, mentais e emocionais, que é o que se espera e que possivelmente se consegue num grupo musicoterapêutico.

As técnicas e métodos utilizados são de grande benefício para promover o equilíbrio emocional e a reintegração psicossocial do paciente psiquiátrico, quebrando a sua rotina, levando momentos de prazer e conforto e possibilitando outro canal de comunicação, fortalecendo assim seu estado psicológico. A maneira informal de terapia deixa-os à vontade, sem a existência de uma possível pressão facilitando e criando com isto, um ambiente mais seguro.

A utilização dos métodos e técnicas musicoterapêuticas para pacientes psiquiátricos são eficazes para explorar temas terapêuticos e expressá-los de uma maneira menos dolorosa.

A musicoterapia abre mais esse canal, propiciando ao paciente a recuperação e reabilitação e na prevenção promovendo saúde.